Ir e vir

Não podemos mais ir e vir … precisamos calar nossos pés .. e nossas bocas .. passos e palavras que não contribuem para o momento atual. Não penso que seja o apocalipse… mas um sinal .. de que algo deve ser mudado no mundo .. e urgentemente… Mas .. o que ? a resposta é o desafio pq a pergunta não é nova … O que ocorreu após a segunda guerra mundial? Após o nazismo ? a mesma questão : algo precisa ser mudado no mundo .. No mundo pq são contextos que afetam a todos .. “ pandêmicos”.. Será que a mudança na natureza, uma mutação .. explica tudo? Talvez os virologistas saibam o que há de objetivo sobre isso. E o subjetivo? Quando estamos em nossas casas, com nossas coisas em ordem, roupas bonitas, viagens marcadas, etc … não estamos praticando o egoísmo.. estamos vivendo … cada um a sua maneira … a questão é : quantas pessoas não estão vivendo de maneira nenhuma ? E até que ponto é nossa responsabilidade acharmos uma solução para os que não tem comida, medicamentos, escolas, lazer, roupas… ? Nem todos se desligam pq não sentem nada, por insensibilidade … se desligam para não sofrer, por não saber o que “ efetivamente “ fazer”… Agora … quando todos são obrigados a olhar para o mesmo problema … as alternativas de resolução surgem mais fácil mais rápido… Talvez o sinal seja darmos um novo sentido para existência .. diante da nossa fragilidade podermos na crise atual e passada a crise olharmos para a precariedade de recursos que está e sempre esteve presente em muitos grupos e, quem sabe, ao invés de cair no esquecimento ou ser apenas temas de filmes e documentários que nos faz chorar … a mesma força que o mundo está tendo agora .. construa um mundo melhor para os que o coronavírus, hoje, pode nem ser um abalo na existência que já vive a beira do abismo.

Por onde anda Deus?

Uma pergunta tão comum .. quem nunca a fez na vida? Os que creem è os que não creem e os que têm dúvidas … e todos temos dúvidas, mesmo diante das nossas verdades .. pq .. o que é a verdade? Mas, especialmente, em meio a uma epidemia a pergunta pode voltar como uma maneira de se encontrar uma resposta para a “ sensação “ de abandono que um “ inimigo invisível” pode provocar e pela prisão que isso tem “ determinado” na vida das pessoas. Prisão domiciliar .. ou prisão emocional .. O desejo de se religar a um salvador ou de questionar a existência é comum … não temos um “ homem aranha ou algum super herói “ para descer e acabar com a confusão, nem temos um “ papai Noel” fora de época para nos confortar com um presente … temos a realidade que nos aponta para a espera de soluções vindas da comunidade científica e do trabalho conjunto da população e equipes profissionais de diversas áreas da saúde e da segurança pública. Deus ? Está onde sempre esteve .. e nada tem a ver com as nossas doenças, com as nossas catástrofes naturais, com nossos desafetos,,com nossas ambições, com a nossa capacidade de amar. Somos responsáveis por nossas escolhas e consequências.. não somos autores de uma epidemia .. mas autores de nossas vidas.. e as nossas vidas continuam a correr .. e talvez seja uma oportunidade de reflexão sobre nossos planos de existência, lembrando que eles podem ser suspensos contra o nosso desejo e temos só o tempos presente, enquanto Deus é atemporal. Kátia Del Porto

Soterrados

Há muito tempo temos problemas com enchentes e afins no Brasil. Hoje, de manhã, eu ouvia o rádio e fiquei paralisada com as notícias sobre os soterrados no litoral paulista. Ao todo 70 pessoas desaparecidas .. Sabe o que penso sobre isso? As pessoas estão sendo vistas como um número .. é claro que falei o óbvio ! o mundo não revela isso .. o mundo mostra explicitamente isso .. pq revelação é algo de maior importância, é algo que nos surpreendemos .. O que acontece conosco ? Eu fiquei paralisada com a notícia e não fiz mais nada … até decidir escrever algo sobre isso.. O que podemos fazer ? afinal .. são tantas demandas… Podemos nos debruçar nas janelas e portas e telefones e computadores .. e mídias de todo tipo e pedir para que as pessoas voltem a olhar para os que não são seus próximos ….como se fossem… que voltem a olhar com a empatia e generosidade que olharíamos se fossem nossos filhos .. sempre penso que a medida de nossa conduta seria não fazermos para o outro o que não gostaríamos que fizessem para nós … sim! é quase um clichê, é meio bobo, é meia verdade .. mas funciona … e funcionaria muito bem se todos nós pensássemos assim.. Como é possível pessoas viveram em condições subhumanas ? Como é possível um filho ser soterrado ? É possível … desde que não seja o nosso .. é possível desde que a situação do outro não nos incomode .. concretamente .. podemos tentar reativar nossos valores, divulgar nossa indignação, tirar o automático… e sentir que se o nosso coração pulsa pela dor do outro …ainda resta a esperança de mudança .. um coração que pulsa pelo outro não anda sozinho na vida … é um coração que sabe sobre solidão e sobre amor, e que compreende a nossa origem comum .. somos um.. sempre seremos um.. não importa a classe sócio econômica cultural … não importa a raça e nem a inclinação sexual … somos um .. mesmo se não quisermos .. não depende do nosso querer… vamos passar na vida … apenas passar … todos nós passaremos … soterrados ou sentados no camarote de onde vemos o melhor que uma cidade pode nos oferecer com uma taça nas mãos brindando o que conquistamos da chamada felicidade. Kátia Del Porto