Eu, tu, o COVID, nós, vós e a CPI

 

 

 

 

 

A história conta e reconta ano após ano, século após século, as “ aventuras” humanas no mundo. E, como sabemos, tudo tem um preço, seja material, emocional mas sobretudo histórico. Se o tempo de vida que nos é ofertado não for bem empregado, passaremos pela vida sem contribuirmos para que outras gerações “ paguem “ um preço mais justo ou melhor. Mas o que faz o Homem repetir vícios?

 O COVID viu, entre nós, a oportunidade de nos comandar, de direcionar nossos passos, através da ameaça de nos  extinguir a cada dia. A CPI vê  a necessidade de buscar elementos reais que justifiquem as ações humanas favoráveis ou desfavoráveis à meta estabelecida pelos COVIDs, pq são milhares …  E nós? Nós, os replicadores de pensamentos e ações ? Qual o nosso papel ? A medida que a hierarquização da vida seja a “ da vida individual “ e não coletiva, que uma pessoa seja só uma pessoa, a vida se resumirá a vivos e mortos e para isso basta a estatística. Mas a medida que o João  seja nosso pai, irmão, amigo…a vida se resumirá em amor e o amor  corta o tempo e permanece ao longo da história. A repetição de vícios pelo homem, se deve a falta de amor,  ao excesso de vaidade, egoísmo, materialismo, que se opõem a maior virtude que é amar.

Temos um inimigo que veio levantar a bandeira dos inimigos que cultivamos em nós todas a vezes que nos esquecemos do “ todo” que pertencemos, e temos aqueles que tentam nos defender ao investigar os vivos em nome dos mortos, para que não sejamos números. O amor tem que vencer ao longo da história. Assim seremos eu, tu, o Amor, nós, vós e eles não precisarão existir pq o amor não precisa ser investigado.

 

Vacinada

Vc ainda escreve no girodafala? Faz tempo que não … mas vou escrever …

Fui vacinada. Saí atônita na primeira dose … desrealizada … Sabe quando acontece algo de grande impacto e demoramos para perceber ? Como acordar, de madrugada ou de manhã, de um sonho maravilhoso ou de um horrível pesadelo. Depois de uma semana tomei consciência de como o que é raro se torna estranho. A sensação de privilégio e de vergonha … Quem sou eu para ser já vacinada antes de tantos quando esses tantos deveriam ser vacinados? Mais do que isso … eu desejava uma vacina profunda que me imunizasse contra o que vejo e ouço nos jornais … Por onde passa a indiferença de alguns em contraste com o altruísmo de outros ? Por onde passa a necessidade de apego a “ falsas verdades “ que não são mentiras pq se vestem da capa sedutora da aparência ? Depois … veio a segunda dose … outro baque !!! E agora ? E depois disso ? Hoje… o depois tem sido depois e depois … Não que eu tenha perdido a esperança … ela me agarra de tal forma que dá até raiva ! Mas o depois tem sido bem depois do depois ..: 3000 mortes em 24 hs ?

E se todos tivessem sido vacinados?

E se todos tivessem respeitado distanciamento?

E se os governantes fossem o exemplo que muitos precisam ?

Ahh seria diferente … a esperança ia embora, teria cumprido a sua missão. Entretanto um país deve viver de esperança ou de realizações ? Talvez dos dois … mas de mãos juntas … Vacinada? Não. Só quando 200 milhões estiverem vacinados. Uma morte. Uma vacina.

O Último Beijo

Era o último e não sabia … e por não saber ofereci meu rosto como sempre fiz e encostei minha boca no outro tão rápido que beijei o ar…Depois disso … nada mais foi igual … minhas mãos cansaram de procurar outras mãos … e meus lábios se esconderam… Os sorrisos sumiram das ruas …e os olhos passaram a ser nossos guardiões. Nunca vi tanto como agora … e nas visões que me acompanharam a indiferença foi a pior … olhares esquivos diante da dor … mas tantos outros comovidos … Olhos que se fecharam para sempre e não puderem chegar até aqui …no último dia do ano … E o ar … carregado de beijos deve voltar um dia e que seja logo… que os anos sejam dias e que os dias sejam horas e as horas minutos e os minutos segundos … e tendo só segundos não percebamos o tempo como inimigo … apenas como o tempo .. e em segundos o último beijo será o primeiro Kátia Oddone Del Porto 32/12/2020

O meu Natal

O meu Natal …

Um ano de ondas … sobe e desce … na balança da infância tudo era mais fácil … Alguém nos empurrava e vinha o frio na barriga ( tão esperado), as mãos para o alto e o grito no final … depois um pulo … e … às vezes uma queda … “ Do chão não passa …” Mas … as ondas desse ano, levaram muitos embora da vida terrena e ficaram no chão … levaram muitos sonhos e projetos …. trouxeram fome, medo, dor, sensação de abandono … expuseram o egoísmo e tb a solidariedade… nos cansamos …e o frio na barriga continuou em nós … sem o grito final de alegria. Agora precisamos rever quem somos, não teremos como escapar de nós mesmos … das nossas ideias, das nossas casas, das nossas máscaras … e isso pode ser muito bom ! Bom se soubermos aprender sobre persistência, sobre esperança, sobre olhar o mundo como nosso … Nunca o mundo foi tão nosso como nesse ano ! Que possamos lembrar que Deus existe. Existe antes de qualquer religião. Existe antes de qualquer filosofia. Existe antes da ciência. Existe antes mesmo dele existir. Isso é mistério, é milagre, é fé Deus não briga com os homens. E para os que não conseguem lembrar de Deus pq não o conheceram, desejo que olhem para Ele. É só olhar. E Natal, nascimento … é olhar … é não desistir de olhar .. é olhar cada vez mais … e depois de tanto olhar … certamente … o sentido da vida e da morte não serão os mesmos. Virá a alegria, não a da balança da infância … que passa rápido … a alegria que não vai embora …
Feliz Natal !!
Katia R Oddone Del Porto,24/12/2020

Uma bomba chamada Covid 19

Eu esperava o final do mundo como quem espera uma bicicleta que não poderá ganhar … postergava esse final … pensava: um dia pode acontecer ! Um dia poderei pedalar … Mas o final do mundo não é o final de tudo … demorei para entender ! Entender como é subjetivo o significado dos términos … sejam grandes ou pequenos …totais ou parciais … Ouço bombas caindo por toda parte … e não sei onde caem e quem morre… quem vive … quem sofre quem não sofre …uma bomba invisível e inesperada… Desço as escadas do meu pensamento e lá no coração vejo melhor … e o que vejo ? Vejo sirenes de ambulâncias e faróis piscando para bares lotados e resorts cheios de pessoas protegidas pela crença de que com elas nada acontece … Vejo pessoas encolhidas nos ônibus e no metrôs desviando os rostos daqueles que sem máscaras usam máscaras que escondem desrespeito … Vejo colegas exaustos de rituais para não se contaminarem … Vejo o trem turístico lotado …lotado de últimos sonhos … lotado da ideia de que é melhor que o último suspiro seja um passeio ou uma embriaguez

E me pergunto: O que é ser jovem ? O que é um ano? O que é estar ali ou aqui, se tudo sempre será provisório, temporário, dentro ou fora de uma pandemia ? Querer viver ou não querer morrer se equivalem … um ano ou 30 anos se equivalem … pq a vida é isso: é um minutinho ali na esquina … ou horas ali bem longe … mas é tempo, sempre é tempo … Tempo de vida não temos como calcular … mas temos como não acreditar que perdemos tempo ao nos preservar e ao preservar outras pessoas .. e que perdemos tempo quando não olhamos em frente e colocamos o sentido de nossa existência em tudo que nos falta. Sempre faltará algo. A pandemia só mostrou que a falta existe e que tentar preenche -la não é um trabalho pontual. Kátia R Oddone Del Porto

A Queda das máscaras

As máscaras sempre me interessaram …nas festas a fantasia, nos bailes de carnaval, nos super-heróis …Eu adorava assistir “ Zorro”… gente da minha idade conhece. As máscaras foram feitas para esconder ou “ não mostrar “ ou “ disfarçar”…. para nos divertir, nos assustar …e também, em outros contextos, para proteger as pessoas em trabalhos e situações que as expōem a riscos. Hoje eu pensava pq é tão difícil para tanta gente se esconder de um vírus… será por descrença em algo invisível? Será por onipotência? Será por desconhecimento? Será por negação da realidade ? Será por falta de bom senso ou irresponsabilidade? Quando temos dúvidas se algo nos ajuda ou não, e precisamos de ajuda, e esse algo que duvidamos não nos fará mal se aceitarmos, não aceitamos? Se o benefício pode existir, não aceitamos? Pq seria diferente com o uso de máscaras em meio a uma pandemia? Pq a liberdade deve estar condicionada a antigos hábitos e não pode estar condicionada a novos hábitos? Hábitos que nos adaptamos. Somos feitos para nos adaptar .. A história mostra isso. O que éramos sem TV, telefone, internet, carro, etc … delivery … etc etc etc … ? A grande ameaça é sair do que planejamos como vida normal ou ideal, ainda que a ameaça de adoecer esteja presente. E a nossa função na sociedade não é cuidar somente de nós e de nossos parentes e conhecidos, mas cuidar de qualquer outro que esteja vivo. Muitas máscaras estão em queda .. no mundo, nos grupos sociais, nas mídias, no trabalho, nas famílias… Máscaras que não víamos e que passamos a vê-las espalhadas por toda parte. A humanidade está bastante exposta, e o resultado disso não será colhido agora. Outras gerações apontarão o dedo para trás. Mas podemos colher, individualmente, na história … recursos para a nossa adaptação no presente. KATIA ODDONE DEL PORTO

Pandemônio

Um grupo de pessoas que causam confusão … ou algum mal .. mais ou menos isso .. é …. parece que a pandemia .. virou um pandemônio … Quantas pessoas, incluindo nossos governantes, querem o bem da coletividade ? Aliás … quantas pessoas querem o bem delas mesmas ? E .. o que é querer o bem ? Ahhh meu bem prá lá .. meu bem prá cá … queridos …queridas … e assim por diante .. Sabe o que acontece com as palavras ditas em vão ? Voltam vazias … não encontram eco .. morrem por falta de ar.. Falta de ar? Não é só o Covid que mata ! A indiferença mata, a ignorância mata, a inveja mata, o ódio mata, o egoísmo mata … Palavras carinhosas sem carinho … são pedras … e … não nos enganam … ou não nos enganam por muito tempo. Acho engraçado falar “ Em tempos de pandemia …” … parece até o início de um romance de época … quando, na verdade, estamos vivendo uma época nada romântica … Um pandemônio !! Deus me livre disso, se eu merecer ser liberta ! Me livre do pandemônio ! Porque pior do que o vírus… é o uso que o Homem faz dele .. Terrível ! Fico perplexa todos os dias .. que espantosamente, após 3 meses trancada em casa, não são iguais .. são bem desiguais .. a cada dia uma nova notícia absurda ..que só não é hilária pq tem o caráter pandêmico e pandemônico i (?). Um pandemônio !!! Nas filas das lojas na rua 25 de março .. na Champs- Èlyseès em Paris ou no quinto dos infernos … o Homem é Homem em todo lugar por onde passa .. Será que poderia ser mais gente e menos Homem? Será que o Homem poderia pensar que a ilha imaginada não existe ? Que aquela história infantil com final feliz é só uma história ? A Branca de Neve não tem os 7 anões e nem haverá um príncipe e nem Deus desejará nos salvar das barbaridades conscientes que criamos … Precisamos rever o significado do que é ser gente. Gente não é a “ gente humilde “ que Ângela Maria cantava .. gente que subia o morro .. gente vai de A a Z! O carro bacana .. a casa na praia .. o jato particular .. não deixa ninguém fora do coletivo “ gente “ Que cada um de nós possa tira a roupa e perceber que gente é qualquer ser nú nascido e criado em um espaço comum chamado Terra, chamado Mundo. Kátia Del Porto 12/6/2020